Inspiração…
Novidade: Tolkien Brasil
Olá caros leitores!
Recentemente recebi o convite para fazer parte do site Tolkien Brasil, que para os que não sabem é um site dedicado (como o nome já sugere) ao autor das famosas obras de O Senhor dos Anéis e O Hobbit, entre outras. Minha função particularmente é no que diz respeito a ilustrações. Fiquei muito contente com o “chamado“, pois o site possui conteúdo de qualidade para os fãs de Tolkien, além de contar com uma administração muito organizada e articulada. Então, estreei hoje uma seção no site que foi nomeada de “Tirinhas da Natália“. Lá estarei postando semanalmente tirinhas referente a Terra-Média, seus personagens, adaptações e afins. Quem estiver interessado em conferir, pode acessar clicando aqui.
Só para vocês pegarem o “feeling” da coisa, vou postar aqui uma charge que fiz por estes dias, mas que porém não está no conteúdo do site. Segue…

Uma notinha, 2013.
Olá, caros leitores!
Ao som da maravilhosa, estupenda, incrível trilha sonora de O Hobbit começo a escrever o primeiro post do ano! Todo novo ano gera muitas expectativas, mas este em particular promete mais do que o anterior para mim. Representa um período de transição e muitas decisões importantes, estou ao mesmo tempo receosa e animada com toda essa carga de informação. Vamos torcer para que as escolhas sejam bem feitas! Como comentei com um amigo…
Se nada funcionar muito bem, pelo menos teremos “A Desolação de Smaug” em Dezembro! Novamente, o filme MAIS esperado do ano.
E quem dera se fosse vinho…
Não sei como ele conseguira acender a luz e ainda permanecer em pé ao ver sua esposa deitada por entre os cobertores sujos de cor semelhante ao vinho tinto de Bordeaux. Um vermelho bordô que não mais condizia a marcas de batom o qual ela usara em sua noite de núpcias para seduzi-lo tão intensamente. E quem dera se fosse vinho…
Não tinham filhos ou animais de estimação, eram apenas os dois, Luís e Isadora ou Isadora e Luís, assim nomeavam convites de casamento, de aniversário, de confraternização de trabalho e outros mais os quais eles ignoravam justificando não haver tempo para tais eventos sociais.
Isadora era advogada em tempo integral, desconhecia o significado das palavras “férias” ou “feriado”. Trajes e comportamentos exibiam muito bem sua personalidade. Sempre muito séria com um leve sorriso tímido no rosto quando lhe contavam alguma boa novidade. Talvez por isso muitas mulheres invejassem sua pele isenta das rugas que não negam a idade, afinal não há como surgir traços se não há expressão. Terninho preto básico, camisa social, scarpin preto (o chamado sapato fechado de salto alto e bico fino), relógio de marca, óculos com lentes fotossensíveis e o sempre expressivo batom vermelho bordô delineando os lábios, mostrando para um atento observador que aquela mulher apesar de aparentemente fria e calculista sentia muito desejo. E esse desejo seu marido Luís desconhecia.
Os pensamentos de Luís vagavam distantes da realidade, principalmente nos últimos anos. Seu olhar diversas vezes se perdia pelo horizonte enquanto dirigia seu carro do ano ouvindo aquele velho rock inglês dos Beatles. Assim como sua esposa, era difícil distinguir as não muitas expressões que por ventura surgiam em sua face. Não havia muita diversificação entre elas para que pudessem ser reconhecidas ou como a alegria ou como a tristeza de um ser humano, era tudo apenas indiferente.
Seus trinta e oito anos, quinze de carreira, somavam uma imensa literatura de artigos científicos publicados em prol da melhoria da qualidade de vida das pessoas. Luís era médico, participava constantemente de eventos de medicina, farmácia, tecnologia etc. Era uma pessoa bastante admirável, reconhecido por todos seus pacientes, amigos e familiares como um quase Deus. Na realidade era bem comum crer que os médicos têm o poder da cura…
Luís aproximou-se da cama onde sua esposa estava deitada, as lágrimas começaram a escorrer pelo seu rosto uma por uma até que seus joelhos trêmulos o fizeram agachar e num momento de desespero ele começou a sacudi-la tentando reanimá-la, como se suas mãos e palavras assim como toques de bisturi em seus pacientes fossem instrumentos de cura.
O rosto branco gélido de sua esposa, aqueles lábios antes vermelho bordô agora secos, acinzentados, sem vida, sem movimento, cabelos suados embaraçados e esparramados em cima do travesseiro, a camisola de renda preta que a havia presenteado no último aniversário de casamento, todas essas imagens foram gravadas por seus olhos azuis turquesa, que a cada piscar assemelhava-se a um flash fotográfico, capturando os ínfimos detalhes de uma cena chocante e arrasadora.
Ele sabia que não a possuía mais. Sabia muito antes desta cena e até bem antes de presenteá-la com a camisola de renda preta. Por mais que nos últimos anos os diálogos tenham parecido muito mais de dois indivíduos que se encontravam eventualmente num ponto de uma estação de metrô do que de um marido e de sua mulher, ele ainda a amava. Seus gestos, suas ações, suas palavras e olhares não demonstravam, mas o órgão que bombeava sangue para todo o seu corpo ainda a pertencia, e tão a pertencia…
Como justificar toda essa frieza de sentimentos se um sorriso dela ainda o aquecia e despertava a sensação de calor e paixão conforme quando ainda eram jovens e sonhavam com a vida “perfeita” e cheia de amor?
Essa era uma questão muito presente nos pensamentos de Luís que padecia internamente e sozinho. A “sede de amor” era justificada pela hemorragia interna que sofria quando pensava que talvez ela pudesse ter deixado de amá-lo. E esta com razão, que por não receber a atenção e carinho suficiente, não poderia continuar a nutrir este sentimento pelo qual ambos há muito tempo prezaram e juraram diante de várias pessoas a eternidade. Mas mesmo assim, até os poucos segundos que antecederam o acender da luz, Luís não havia desistido. Restavam-lhe poucos dias para que ele pudesse enfim convocá-la para uma verdadeira “D.R.” — discussão de relação, como modernamente se conhece aquelas conversas sérias sobre o relacionamento do casal — e desse modo expô-la tudo o que lhe preocupava.
Entretanto, o tempo que o relógio aponta não é o mesmo tempo sentido por alguém que guarda algo há ser dito, há coisas que não podiam e nem deviam ter sido adiadas ou remarcadas. E a esta altura Luís estava tomado por um forte sentimento de arrependimento, uma “dorzinha” amarga que causava falta de ar e alfinetava com firmeza seu peito dificultando a respiração, como se tudo pudesse ter sido diferente caso suas ações fossem mais rápidas, caso ele tivesse sido mais sincero. Todos dizem a mesma coisa, não é mesmo?!
Ser médico e mesmo com tantos anos de experiência contando às pessoas que a elas não resta muito tempo, não o ensinou que a vida é tão preciosa quanto os pequenos segundos que se sente respirar e que o tempo é relativo (é cedo ou tarde demais?), não há data precisa para nascer tampouco dia e hora para falecer, e muito menos quando as circunstâncias não são naturais.
Ainda debruçado ao pé da cama segurando a cabeça de sua falecida esposa enquanto lhe pedia perdão pela demora e pela falta de amor, perdera a noção de tempo, desconhecia qualquer movimento alheio aquele momento. Seus olhos vermelhos, cheios de tristeza desesperados por um abraço, por um carinho qualquer que acolhesse seu coração — despedaçado, rasgado, dilacerado — fixaram-se através janela de vidro fechada mostrando-lhe o reflexo de seu rosto.
Luís então levantou. Por um segundo quase tropeçou em si, com as mangas da camisa de linho sujas de sangue foi andando com dificuldade quase arrastando o próprio corpo, pesado e psicologicamente abalado, até a gaveta de sua escrivaninha. Retirou a chave do bolso esquerdo de sua calça e com um movimento devagar estalando as travas da fechadura abriu a gaveta. Dentro retirou uma folha de papel em branco, uma caneta azul e um envelope destinado a ele próprio, já aberto.
Agora concentrado sentou-se próximo à sua esposa com a caneta e o papel em mãos começou a escrever. Com alguns poucos soluços e breves pausas continuava repetindo, tentando se convencer de suas próprias palavras, sussurrando que sentia muito e que desejava poder voltar no tempo, ao mesmo tempo em que escrevia. Quando finalmente terminou de escrever dobrou cuidadosamente a folha de papel, que estava em parte manchada de sangue e em parte de tinta de caneta devido ao contato com as poucas lágrimas que ainda caíam de seus olhos e se dispersavam expandindo no afeltrado de fibras de celulose entrelaçadas a cor azul, e a colocou em cima da cabeceira da cama debaixo do abajur desligado.
Três dias após o incidente a polícia apareceu e não havia sinal de Luís, não havia malas feitas ou desfeitas, o corpo de Isadora permanecia no mesmo lugar, a janela ainda fechada, abajur apagado. Não havia registros de chamadas telefônicas, quem sabe como teriam avisado sobre um corpo de uma mulher de meia idade, esquecido entre cobertores apodrecidos manchados de sangue já seco, de bordô a rútilo, e quem dera se fosse vinho…
Na manhã seguinte, de acordo com todo “bom jornal” que para vender requer de uma pequena “forcinha”, uma nota é lançada como manchete: “Médico assassina friamente com sete facadas no abdômen esposa gestante de dois meses, após descobrir sobre relação extraconjugal”.
E em como toda boa sociedade ocupadíssima com seus afazeres cotidianos esqueceu-se do noticiário uma semana depois do ocorrido. E quem sabe acerca do paradeiro de Luís, seria o cruel assassino ou o médico por vezes chamado de Deus?
The Hobbit
Finalmente tomei vergonha e vim fazer um post decente sobre o filme mais esperado (por mim) do ano! Embora eu tenha ido assisti-lo pela primeira vez na pré-estréia, somente agora parei para escrever sobre. Acho que muito porque há diversas resenhas e comentários relacionados ao filme espalhados pela web. De toda maneira, já aviso antecipadamente que sou muito fã da obra de J.R.R.Tolkien, logo sou suspeita para falar sobre.
O Hobbit realmente superou minhas expectativas. Peter Jackson não deixou nem um pouco a desejar. Novamente, nos presenteou com uma majestosa produção e roteiro fiel à obra de Tolkien. É claro que precisamos ter em mente que trata-se de uma adaptação, de maneira que não será (nunca) exatamente IGUAL a obra escrita. Outro ponto muito importante é que não se deve ir assistir “O Hobbit” pensando em encontrar um novo “O Senhor dos Anéis”. São livros diferentes! Mesmo que as histórias tenham no fundo tenham alguma ligação, aconteçam na terra-média, tenham alguns personagens em comum etc. é importante enfatizar que são aventuras distintas (com propósitos distintos). Geralmente, as pessoas que esperam algo que não é são aquelas que não leram os livros. Tudo bem se você não ler, mas não venha dizer que deveria ser o que não é.
Há elementos que você encontrará no filme que não estão propriamente no Hobbit, mas que deram uma sensação de história bem contada. Diferentemente de outras adaptações, você consegue perceber que o diretor (como fã) sempre busca deixar o fã com aquela sensação de satisfação, de que foi feito o possível para contemplar a maior quantidade de informação ao invés de fazer um trabalho meia-boca. Neste sentido é um filme de aproximadamente três horas de duração. Como eu li em algum lugar… É um filme de fã para fã. Até hoje não vi nenhum fã reclamar do tempo de duração dos filmes, porque se é para fazer… que seja um trabalho BEM FEITO! Comparo isso com os filmes da série do Harry Potter, muitos deixaram a desejar (e olha que eu dou valor nos livros, mas deveriam ser feitos por alguém à altura do Peter Jackson no quesito “fã” e “trabalho perfeccionista”).
Há muitos pontos altos que eu poderia destacar na história, porém irei me reduzir a apenas um, o mais esperado por mim: adivinhas na escuridão. O momento em que Bilbo encontra Gollum e os dois começam a jogar. Acho que é um dos meus capítulos preferidos de todo o livro d’O Hobbit. E achei excelente! A maneira como foi feita, as expressões do Gollum foram simplesmente sensacionais! O Andy Serkis é um ator e tanto.

Em pouquíssimas palavras para concluir… O retorno à terra-média após quase dez anos foi mágico. Você entra e não quer mais sair. Agora é esperar mais um ano ansiosamente para a estréia da segunda parte!
Múrmurio
Você corre, com a respiração ofegante, numa tentativa de mandar tudo que não cabe na sua cabeça para longe. Você tenta superar o limite que impede seu corpo de voar. Vai impondo sua vontade de fugir sobre suas pernas bambas. Um tropeço qualquer pode lesionar seu objetivo, prendendo-o ao chão por tempo indeterminado. Mesmo dando exaustivas voltas, arrancando os pés do chão com vigor, você acaba retornando ao concreto. Quanto mais impulsiona seu corpo alçar vôo, mais recebe o impacto de tê-lo colidindo com a realidade. Mas você não desiste. Como um pássaro que está aprendendo a bater as asas, você continua correndo, ainda que não saiba para onde exatamente deva ir.
5 à Seco – Pra Você Dar o Nome
Banda que conheci recentemente por indicação de uma amiga e já gostei bastante.
Sempre que der
Mande um sinal de vida de onde estiver dessa vez
Qualquer coisa que faça eu pensar que você está bem
Ou deitada nos braços de um outro qualquer que é melhor
Do que sofrer
De saudade de mim como eu to de você, pode crer
Que essa dor eu não quero pra ninguém no mundo
Imagina só pra você
O que precede algo bom
Não cabe em mim este sorriso. Não, não o traga agora. Sei que se aguardar mais um pouco ele virá. Certamente, o sorriso virá acumulado que talvez expanda meus lábios contraídos. E o esforço de esperar não terá sido em vão.
Não se admire se um dia
Um beija-flor invadir
A porta da tua casa
Te der um beijo e partir
Fui eu que mandei o beijo
Que é pra matar meu desejo
Faz tempo que eu não te vejo
Ai que saudade de ocê(Geraldo Azevedo, Ai que saudade d’Ocê)







